Voltei a limitar-me a respirar. Mato o tempo e os cigarros. Consumo tudo o que me faça esquecer. Estar dormente é, para mim, como o chegar a casa. Caminho, descalço, pelo caminho que, certamente, me trará descanso.
Não posso ser eu mesmo. Vivo esta realidade como se estivesse a ter um pesadelo que nunca termina. A vida é nem tanto uma aprendizagem mas sim uma desaprendizagem. Quanto mais sei menos quero saber. Ver a realidade pelo que ela é faz com que queira ser cego.
Não há lugar no mundo dos vivos quando se está morto. A morte chega nem sempre pelo parar do batimento de um coração. Por vezes, chega também quando a esperança morre e a fé desaparece.
Nunca mais vou permitir que me sinta desta forma e mesmo que não o quisesse fazer fá-lo-ia. Não por teimosia, mas por não saber lidar com as coisas de outra forma.
Cada alma que por mim passa me vai tirando bocados da minha essência. Temo que desta vez o roubo espiritual tenha sido tanto que já nada resta para roubar.
Li uma nos poemas de Fernando Pessoa para dormimos pois a vida é nada. Anseio por esse tipo de sono. O tipo de sono no qual não acordamos mais.
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