segunda-feira, 29 de junho de 2026

    Sinto algo de diferente, em mim, quando te olho.

    O tempo para quando te beijo e só me dou conta dele a passar por mim quando te ausentas. A forma como me tocas transmite-me segurança e, mesmo que por instantes, sinto que estou perante a presença de algo divino. De certa forma, estou. 

    O amor genuíno e verdadeiro é divino e o que há de mais divino, no mundo, que o amor? Tudo em ti me atrai e tudo o que existem sem ti repele-me. Cada dia que passa sei que estou mais e mais apaixonado por ti, por quem és e pelo que representas para mim. 

    Não sei o que nos aguarda no futuro. Pouco me importa pois sei que tanto no futuro como no presente te encontrarei a meu lado. Desde que me entreguei a ti de corpo e alma não imagino um futuro onde não estejas presente. 

    Se não te mereço ou se não me mereces pouco parece relevante. Se não nos merecêssemos porque é que nos sentimos desta forma? Quando estou contigo o ruído para, a fome passa e o coração, meu, que sempre te desejou, sem saber, transborda felicidade.

   Posso não saber qual o percurso ou o rumo que tomaremos juntos. Posso não conhecer todas as estradas e as ruas que em ti habitam. Sempre fui bom com mapas e para descobrir a tua casa basta bater à tua porta. Os teus olhos são, de certa forma, a porta que me leva ao teu interior. Através deles consigo perceber e sentir o teu amor por mim. 

    Independentemente dos momentos difíceis e turbulentos que passaremos juntos, anseio descobrir tudo o que nos aguarda na vida. Posso não ser perfeito. O mesmo se aplica a ti. A perfeição não está tanto na certeza nem no pico da montanha mas sim em todo o caminho que percorremos até chegarmos ao destino final. As pequenas coisas como os beijos, as discussões, os jantares queimados e as lágrimas derramadas. Até mesmo as palavras fortes que ferem. Existe perfeição também nisso tudo e embora não o saibas és perfeita exatamente da forma que és. Cheia de imperfeitas perfeições.

     Amo-te e quero-te muito. Com muito amor e carinho,

                                                                                                        o teu Henrique  

sábado, 20 de junho de 2026

sofrimento permanente,

danos irreparáveis,

um corpo doente,

uma mente frágil,

entre os que sabem,

ninguém sabe,

como é bom fugir,

para um lugar sem retorno. 

 

o tempo escapa-se me pelos dedos,

aperto a mão,

tento trava-lo.

falho,

não uma nem duas vezes,

falho,

sucessiva e ciclicamente.

 

em outros já não encontro nada,

nem mesmo nos risos ou sorrisos,

nem mesmo nas lágrimas e gritos.

 

a dor invade-me o pensamento,

poluindo tudo por onde toca,

e ó como me toca,

por dentro,

por fora,

por completo.

 

passado toda uma vida,

continuo em busca de uma saída,

vivo para que possa morrer um dia.

esse dia é, provavelmente, noite,

e,

durante a noite,

não ouço nada nem ninguém,

não me ouço,

nem ouço a dor.

 

durmo,

sonho,

acordo e choro.

tudo é fácil enquanto durmo.

pudesse eu dormir e não acordar mais. 

domingo, 14 de junho de 2026

quando ela me olha,

vê o que eu não vejo.

 

agarro na caneta,

preencho a folha,

como forma de cortejo.


o que o sol é para um planeta,

ela é para mim

antes de vir a pergunta,

respondo que sim.

 

nesta vida e na outra,

quero ser parceiro dela,

 

nunca encontrarei em pessoa outra,

o que encontro nela.

o sol entra pela janela,

 

a escuridão é abolida,

na minha cama,

vejo-a, despida,

a sua boca por mim chama. 

quinta-feira, 11 de junho de 2026

    encaro o espaço, vazio, onde faltas tu. a ausência, tua, tem sido sentida excessiva e repetitivamente especialmente durante a noite onde ninguém fala nem se ouve nada a não ser os nossos próprios pensamentos.

 

        ao receber uma razão para sorrir aprendi a chorar e, quando choro, faço-o por desgosto. deito-me na cama, por cima dos lençóis. encosto a cabeça na almofada, olhando para o meu lado esquerdo, ainda com esperanças que lá estejas. só, com a mente que mente. somente de olhos fechados te vejo e só quando paro de ver te encontro.

 

    reciclo a memória que tenho daquela noite que passamos onde fomos a mesma pessoa e onde o movimento, que um de nós tinha, acabava no inicio do movimento do outro. acabou-se me o ar.

 

    este espaço, que chamo de quarto, nunca foi vazio até tu o teres deixado. 

quinta-feira, 4 de junho de 2026

    presenciar-se a morte, prematura, de um amor genúino faz com que qualquer um perca esperança. dia após dia, o sol perde intensidade. o seu calor, já perto do inexistente, faz o girassol passar forme enquanto a chuva, recorrente, a afoga. 

    afoga-te, criança que fui, para o fundo do meu ser. morre, inocência inútil pois para nada me serves agora. saber-se manter catatónico é não tanto uma habilidade mas sim uma forma inadequada de lidar com o que se sente. 

    sei que sou alguém que não é. romance ciclico. para sempre manchado de negro. belo foi o jardim enquanto viva era a recordação que guardava de ti que me fazia sonhar acordado. imaginei, outrém, no que poderia ter acontecido. tendo vivido o que poderia ter acontecido, sofri, chorei e perdi-me.