quarta-feira, 27 de maio de 2026

o espaço entre nós é gigante. o tempo passa devagarinho sem o teu carinho. procuro na nossa cidade o teu odor, pois já sinto a tua falta. em tempos fui apenas meu mas, hoje em dia, estou dividido. 


roubaste parte de mim quando uniste os teus lábios com os meus. senti em ti uma certa fome. fome não de estômago mas de coração. 


não sei se procuraste ser amada por mim. na disciplina do amor, sou desentido. sou para o amor como um aluno dedicado. se desisti de procurar algo genuíno, porque é que o encontrei? 


ao olhar para os teus olhos presenciei o nascer do universo. o som do teu riso, já gravado pela minha mente, é reproduzido em sonhos. nesses sonhos, podemos estar juntos.


gostava de andar de mãos dadas contigo pelas ruas populadas de Veneza. quero afirmar ao mundo que sou teu. no entanto, limito-me a ser espectador atento.


talvez o dia em que possamos ser um do outro chegue ainda nesta vida mas, se não nesta, fâ-lo hei na proxima. Deus vê tudo, até os nossos segredos. por isso, no seu reino, de nada adianta esconde-lo.


teu, não até encontrar alguém melhor. teu, até ao infinito e a eternidade que nos espera do outro lado da porta.


sexta-feira, 22 de maio de 2026

a incerteza irrita-me a pele,

disso estou certo.

mente curiosa,

mente, curiosamente.

sou como algo imaginário,

encontro-me presente apenas no pensamento,

no mundo das coisas,

sou invisível.

ninguém ouve os gritos que largo,

nada me toca,

toca-me o nada que sou,

e o tudo que nunca fui.

amargura doce nesta vida sem cor,

surdas palavras que ecoam no meu interior,

nunca escutadas ou entendidas.

olho-me ao espelho,

vejo o espelho,

mas não me vejo.