Reciclo o pensamento que me consome. Acordo, mesmo sem ter adormecido. Caí pela escadaria do desespero. Encontrei-me despido e dentro de um espelho. Percebo que não passo de um reflexo ou de uma sombra do que fui, outrora. O que resta de mim serve de alimento para o solo, para os vermes e as minhocas.
Em momento algum soube que era. Desde que fui, algo, soube que não era. Quando choro, por dentro, sorrio, para fora. Exibo no braço o pináculo da solidão e do medo inerente ao abandono. Se tento, se faço ou se consigo... pouco importa agora. Agora, importa apenas o nada. O abismo e o vazio.
Os cavalos, negros, galopam. Até mesmo os passarinhos que nem falar sabem cantam. Eu, que não sou pássaro e sei falar, não canto. Eu, que não sou cavalo, deixo-me ser montado pelo pavor. Pelo pavor de um dia olhar ao espelho e não ver a reflexão, minha, mas, sim, ver-me a mim mesmo.
Talvez estes pensamentos ocorram para que aprenda a nadar. Como se tudo fosse um teste. Infelizmente, estou demasiado cansado para nadar. Engulo o que penso. Tento afundar, desesperadamente, para o fundo do meu interior. Quero afogar-me no oceano, de pensamentos, que a minha mente cria.
Por vezes, o ruído é tanto que não me consigo escutar. A dor que sinto é profunda e constante. Fecho os olhos e penso nela e, temporariamente, tudo acalma. Sinto vergonha e fraqueza. Sinto que vou ser mais um peso de muitos pesos que ela já carrega. Isso assusta-me...
Deus... Meu querido e amado Deus. Estou ajoelhado e a implorar para que a protejas. Sei que não sou grande nem suficientemente suficiente para o fazer ao contrário de você, Deus. Dá-lhe a conhecer a paz de espírito que ela tanto precisa, por favor...
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