domingo, 26 de julho de 2026

és a minha casa,

o meu porto de abrigo.

é em ti que busco conforto,

em ti,

nos abraços, nossos,

nos olhares e nos beijos que não chegam a ser.

sonhar passou a ser algo agridoce,

pois somente em sonhos me tocas,

só nos sonhos os nossos corpos se encontram,

se unem e fundem num só.

sobre a chuva,

já não vejo nada,

a não ser a nebula,

que me circunda.

o acordar é difícil,

o acordar é um balde de água fria.

quero voltar ao passado,

para te poder ter de novo.

lembro-me de dizeres que eras minha,

ainda o és? 

sexta-feira, 17 de julho de 2026

ontem sonhei, acordado,

enquanto olhava para o teto da minha casa de banho.



à medida que me feria,

o sonho estendia-se, no tempo,

imensurável e enganador.



sonhei com o amanhã,

no qual já não estava presente,

pois assim o decidi.



se o meu sonho se concretizar,

sabe que fui teu,

tanto fisicamente como espiritualmente,

até aos últimos instantes.



saber o sabor de algo doce,

foi, talvez, a melhor oferenda de Deus, para mim.

sabe que não só encontrei esse sabor doce nos teus lábios,

como também no teu olhar, toque e preocupação genuína.



se nunca chegar a conhecer o amanhã,

sei que no meu fim encontrei o que buscava,

conheci, pessoalmente, o amor e o seu significado.



não quero partir com coisas por dizer,

então escrevo o que me apetecer,

como tentativa de te mostrar,

o quão bom foi poder amar.



foste alguém que sempre quis e que nunca soube que tive...

 

gostava de ser forte,

forte o suficiente para encarar os medos,

resiliente o suficiente para levar as tapas da vida,

mas não sou.

 

espero que encontres em ti coragem para me perdoar,

pois sei que amanhã nunca nos chegaremos a encontrar. 



domingo, 12 de julho de 2026

no dia em que fui ao encontro de Deus,

já ele sabia da minha existência. 

quando me encontrei com Deus,

não estava só.

numa igreja cheia de pessoas,

fechei os olhos,

no escuro encontrei-a,

na escuridão descobri o amor.

não permanecemos na penumbra muito tempo,

cedo, Deus acendeu as velas, 

abriu-nos a porta e convidou-nos a entrar.

apenas Deus sabe da nossa existência.

para além de nós, que também o vemos,

Deus vê, também, o fio de linho que nos une,

fio que não se rasga,

nem se desfaz,

pois sei que...

bem.

sei que Deus nos abençoará,

tanto no altar do casamento,

como na bênção das nossas crias.

até mesmo nas discussões.

Deus ama-nos,

daí nos levar ao encontro um do outro. 

quinta-feira, 9 de julho de 2026

    os cortes visíveis na minha pele são quase insignificantes quando comparados à ferida aberta que carrega o meu coração. antes de não ser já não era. quando caminhei para a frente já me encontrava só. 

     

    quero sumir da visão alheia. quero desaparecer para o abismo e afundar-me na escuridão. se me tornarei em algo intragável pouco me importa agora. preciso de me proteger. preciso de afastar todos de mim para que possa ser verdadeiramente livre.

 

    o peso dos vínculos que criamos a outros é tamanho. não quero mais vínculos nem correntes. não quero que ninguém se aproxime de mim. não por medo. nem mesmo por desconfiança. simplesmente perdi o interesse em pessoas e no que elas representam. 

      

    já não tenho saudade. já nem sinto borboletas. sinto única e exclusivamente desprezo por tudo e todos. até mesmo por mim mesmo. sei que vou negligenciar as minhas necessidades. sei que vou voltar a ser sujo, porco e nojento. por que preocupar-me com isso agora? a vida é como estrume que serve apenas para alimentar um solo diabólico e parasita.

 

    acima de tudo, odeio-me. odeio o que representei. o que fui e no que acreditei. tudo isto é apenas temporário. disso tenho a certeza. preciso de ser corajoso e apressar o tempo para que possa cair com a face na campa que chamarei de casa até ao fim dos tempos. 

 

 

quarta-feira, 8 de julho de 2026

trazes luz para o meu quarto escuro,

coloras todo um mundo cinzento,

quando te ris aparecem borboletas,

ao tocar a tua face sinto-me seguro.

o caos governa um mundo,

onde o medo nos atormenta.

estou contigo embora não esteja,

pensamento onde só tu resides,

tudo virou insignificante em comparação a ti.

és a dona da casa onde habito,

és rainha do meu coração.

sinto falta das coisas que só tu me trazes,

tenho saudades tuas e de tudo o que fazes. 

    Voltei a limitar-me a respirar. Mato o tempo e os cigarros. Consumo tudo o que me faça esquecer. Estar dormente é, para mim, como o chegar a casa. Caminho, descalço, pelo caminho que, certamente, me trará descanso. 

     

    Não posso ser eu mesmo. Vivo esta realidade como se estivesse a ter um pesadelo que nunca termina. A vida é nem tanto uma aprendizagem mas sim uma desaprendizagem. Quanto mais sei menos quero saber. Ver a realidade pelo que ela é faz com que queira ser cego. 

 

   Não há lugar no mundo dos vivos quando se está morto. A morte chega nem sempre pelo parar do batimento de um coração. Por vezes, chega também quando a esperança morre e a fé desaparece.

     

    Nunca mais vou permitir que me sinta desta forma e mesmo que não o quisesse fazer fá-lo-ia. Não por teimosia, mas por não saber lidar com as coisas de outra forma. 

 

    Cada alma que por mim passa me vai tirando bocados da minha essência. Temo que desta vez o roubo espiritual tenha sido tanto que já nada resta para roubar.

 

    Li uma nos poemas de Fernando Pessoa para dormimos pois a vida é nada. Anseio por esse tipo de sono. O tipo de sono no qual não acordamos mais.

terça-feira, 7 de julho de 2026

um menino,

já não tão menino,

olhou para cima um dia,

observou as estrelas,

orou e pediu um desejo.

 

uma menina,

já não tão menina.

eis o desejo personificado,

desejo que o enche de desejos,

de sonhos e aspirações.

 

esperança,

fé ressuscitada,

sempre que os seus lábios se unem.


malabarista emocional,

montanha-russa espiritual,

com um único olhar,

perde-se, o menino,

no mundo dela.

 

meninos...

não temam o desconhecido.

não era também desconhecido o sabor do amor,

que entre vós habita?

para se conhecer primeiro tem que se desconhecer,

e olhem! como foi belo o vosso reencontro.

 

menina,

embora não o saibas,

embora não o sintas,

és para esse menino como se fosses tudo.

és, para esse menino, uma resposta.

 

nem todas as viagens pelo oceano são fáceis,

mas... no termino de cada tempestade,

olhem para o lado,

reencontrem-se.

 

reencontrem-se, beijem-se e amem-se. 

 

segunda-feira, 6 de julho de 2026

não a posso ter,

não agora,

nem mesmo amanhã.

 

não a posso ter,

nem nunca a terei.

 

atenção divida,

o tempo corre,

derramo mais uma lágrima,

engulo nada,

e...

expiro.

 

não a posso ter,

nem mesmo quando a tenho.

quando a vejo,

ela já se está a ir embora.


costas largas,

ombros que carregam peso.

peso exacerbante,

peso avassalador.

 

conversas pausadas,

pausam a minha vida.

por fim,

a vida continua e...

ela continuará a ser,

tudo aquilo que desejo 

domingo, 5 de julho de 2026

sede de beijo,

fome de um toque.

constante inconstante,

faz de mim dançarino.

danço, na palma dela,

como uma marionete autônoma.

estou desnutrido de amor,

mas não por qualquer amor...

apenas o dela. 

 

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Reciclo o pensamento que me consome. Acordo, mesmo sem ter adormecido. Caí pela escadaria do desespero. Encontrei-me despido e dentro de um espelho. Percebo que não passo de um reflexo ou de uma sombra do que fui, outrora. O que resta de mim serve de alimento para o solo, para os vermes e as minhocas.  

 

Em momento algum soube que era. Desde que fui, algo, soube que não era. Quando choro, por dentro, sorrio, para fora. Exibo no braço o pináculo da solidão e do medo inerente ao abandono. Se tento, se faço ou se consigo... pouco importa agora. Agora, importa apenas o nada. O abismo e o vazio.

 

Os cavalos, negros, galopam. Até mesmo os passarinhos que nem falar sabem cantam. Eu, que não sou pássaro e sei falar, não canto. Eu, que não sou cavalo, deixo-me ser montado pelo pavor. Pelo pavor de um dia olhar ao espelho e não ver a reflexão, minha, mas, sim, ver-me a mim mesmo.

 

Talvez estes pensamentos ocorram para que aprenda a nadar. Como se tudo fosse um teste. Infelizmente, estou demasiado cansado para nadar. Engulo o que penso. Tento afundar, desesperadamente, para o fundo do meu interior. Quero afogar-me no oceano, de pensamentos, que a minha mente cria.

 

Por vezes, o ruído é tanto que não me consigo escutar. A dor que sinto é profunda e constante. Fecho os olhos e penso nela e, temporariamente, tudo acalma. Sinto vergonha e fraqueza. Sinto que vou ser mais um peso de muitos pesos que ela já carrega. Isso assusta-me...

 

Deus... Meu querido e amado Deus. Estou ajoelhado e a implorar para que a protejas. Sei que não sou grande nem suficientemente suficiente para o fazer ao contrário de você, Deus. Dá-lhe a conhecer a paz de espírito que ela tanto precisa, por favor...

quinta-feira, 2 de julho de 2026

pela mansarda entra a luz,

luz que expõe dois corpos nus,

dois corpos seguros e descobertos,

almas, calcadas, interligadas.

 

chuva de verão e, eles, cobertos,

os lençóis escondem as lágrimas derramadas,

circunstância forçada,

pelos dois carregada.

 

a incerteza instala-se quando se separam,

contudo desaparece quando se beijam.

 

conformidade que impede o crescimento,

o coração dela envolto em cimento,

com entrada exclusiva ao toque dele,

por ver algo que só vê nele.

 

romance medieval no século vinte e um,

sentimento que não se vê em lado nenhum,

amor nutrido de natureza secreta,

realidade que aos dois afeta.