os cortes visíveis na minha pele são quase insignificantes quando comparados à ferida aberta que carrega o meu coração. antes de não ser já não era. quando caminhei para a frente já me encontrava só.
quero sumir da visão alheia. quero desaparecer para o abismo e afundar-me na escuridão. se me tornarei em algo intragável pouco me importa agora. preciso de me proteger. preciso de afastar todos de mim para que possa ser verdadeiramente livre.
o peso dos vínculos que criamos a outros é tamanho. não quero mais vínculos nem correntes. não quero que ninguém se aproxime de mim. não por medo. nem mesmo por desconfiança. simplesmente perdi o interesse em pessoas e no que elas representam.
já não tenho saudade. já nem sinto borboletas. sinto única e exclusivamente desprezo por tudo e todos. até mesmo por mim mesmo. sei que vou negligenciar as minhas necessidades. sei que vou voltar a ser sujo, porco e nojento. por que preocupar-me com isso agora? a vida é como estrume que serve apenas para alimentar um solo diabólico e parasita.
acima de tudo, odeio-me. odeio o que representei. o que fui e no que acreditei. tudo isto é apenas temporário. disso tenho a certeza. preciso de ser corajoso e apressar o tempo para que possa cair com a face na campa que chamarei de casa até ao fim dos tempos.
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