sábado, 28 de fevereiro de 2026

sofro,

sem razão,

sem motivo ou explicação,

perco-me e afundo-me.


bato no fundo,

bebo até encher o copo, já vazio,

bebo até o copo estar cheio de nada.


anseio um abraço, teu.

espero e desespero.


a vida é como um desafio,

que enfrento,

cego, surdo e mudo.


navego através do toque, áspero,

das minhas mãos, 

as estradas, esburacadas,

que parecem ser não tanto lineares, 

mas, sim,

desrelugares e cheias de altos e baixos.


nem tudo tem razão para ser,

e, em ser-se algo,

falho, repetida e ciclicamente.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

se não puder estar contigo,

que esteja contigo de outras formas.

se com o corpo não te possa sentir,

nem com os lábios te possa beijar,

que te beije o espírito em pensamentos e sonhos.


deixar matérias do coração para a mente,

ou,

deixar coisas da mente para o coração,

é como ouvir com a boca,

ou,

como falar pelo ouvidos.


quando falas, 

escuto,

quando me falas,

sorrío. 


o efeito do tempo,

aquele que faz o corpo mirrar,

é o mesmo efeito,

que faz o que sinto aumentar.


noutra vida,

talvez,

possa viver a teu lado.

noutra vida,

quem sabe...

acorde a teu lado.


és para mim como o sol e a lua,

és, para mim, como o universo.

és, para mim, tudo.


vejo-te em tudo,

vivo-te em todos.

amo-te,

de qualquer forma,

amo-te,

sem forma,

sem prejudicio,

sem intenção.

amo-te quando acordo,

amo-te quando vivo,

e... amo-te quando morro.

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

passo pelas estações,

sentado, no comboio.


estações vazias,

que parecem já todas iguais,

sem nome e monótonas.


perceber-se-ia,

uma certa monotonia,

na minha caligrafia,

rendida e crua,

verdadeiramente nua.


passo pelo passado,

vivo ausente,

presentemente redundante,

de mente raza e plana.


ao pensar planeio,

planos que me fazem planar,

desperto,

caiu a pico,

em queda livre.


oceano gêlido,

faz de mim cubo num copo de whisky.


se nado pelo nada que chamo de vida,

espero afundar-me antes do sol nascer,

para que nunca saiba o que perdi.