desgosto,
seco, amargo e nú,
campos, amarelos,
iminentemente devastados.
trovoada,
chuva ácida,
lágrima sujas e pesadas.
mundo, cruel,
estrada esboracada,
coração, sem cura,
canção depressiva,
fado silêncioso.
a morte,
eu, e ela,
sempre de braço dado,
incondicionalmente ligados,
desconsolada é a mente de quem pensa,
e, quem pensa,
sonha.
ao sonhar,
perco-me na nebulina,
encontro-me na solidão,
onde existe somente um tal Henrique,
e
a sua sombra.
caio na eternidade,
abraço o vazio que carrego.
não sou,
nem serei,
alguma vez,
algo.
sou nada.
possuo nada.
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